Tentações da missão dos leigos – Por Pe. Vitor Feller

Não é fácil para os leigos estarem presentes e serem atuantes no mundo. As tentações são frequentes. “O mundo influencia a Igreja, oferece-lhe tentações, impõe modelos de vida, a ponto de mundanizá-la. Daí a contínua necessidade de renovação e conversão” (CNBB, Doc. 105, n. 81). Para enfrentar as tentações do mundo, é preciso muito discernimento, dom do Espírito Santo que ajuda a separar as coisas boas das más, o trigo do joio.

Discernimentos

Os cristãos leigos estão no mundo. Mas não são do mundo (Jo 17,15-16). Porque o mundo é criatura de Deus, há nele muita coisa boa. Porque no mundo está presente o pecado humano, há nele muita coisa má. É preciso, portanto, distinguir entre umas e outras, para ficar com o que é bom (1 Ts 5,21). Portanto, pluralidade sim, relativismo não. Secularidade e laicidade sim, secularismo e laicismo não. Benefícios da tecnologia sim, dependência viciada dos aparelhos eletrônicos não. Uso das redes sociais sim, isolamento nas comunicações virtuais não. Uso do dinheiro para a compra dos bens necessários sim, endeusamento e idolatria do dinheiro não.

Tentações na missão

O papa Francisco aponta diversas tentações na missão dos cristãos no mundo de hoje. A ideologização da mensagem evangélica usa o Evangelho e a Igreja em favor de partidos e ideias e ideologias políticas. O reducionismo socializante reduz a Palavra e a fé às questões sociais. A ideologização psicológica reduz tudo a um psicologismo autorreferencial fechado no intimismo sem transcendência. A proposta gnóstica considera que a salvação vem pelo conhecimento, que só uma elite esclarecida tem a verdade. A proposta pelagiana ensina que o ser humano tudo pode e tudo faz sem a graça de Deus. O funcionalismo consiste em ser apenas um burocrata da ação eclesial, sem conversão e sem santidade.

Mudança de estrutura

Para que os cristãos leigos sejam realmente missionários e descubram a importância de sua presença e ação no mundo, faz-se necessária uma mudança de mentalidade e de estruturas eclesiais. Trata-se de ver a Igreja como comunidade missionária, que sai de si e vai ao encontro das periferias existenciais e geográficas, comunidade de discípulos que seguem o Mestre de Nazaré e fazem acontecer no mundo o Reino de Deus.

Por Pe. Vitor Galdino Feller

Publicado na edição de junho/2018, nº 246, do Jornal da Arquidiocese, página 05.